Desconstruindo o meio pra reconstruir a mensagem

 

Ontem escrevi um texto pra um job daqui da neo que super se relaciona com o post anterior da Tate:

Já se sabe que o modo de viver, trabalhar e estudar mudou graças às novas tecnologias disponíveis nos dias de hoje. Hoje conseguimos prever com certa exatidão as conseqüências que essa nova realidade traz para nós. Mas e o passado? Como seria se o passado fosse reescrito de acordo com as ferramentas que temos agora?

Essa releitura se vale das artes criadas no passado e que ficaram para a posteridade.

  1. Obra: Rodolfo Walsh foi um grande escritor argentino e precursor do jornalismo investigativo no país. Em 1956, Walsh conheceu sobreviventes de fuzilamento acobertados pelo governo, cujo objetivo era acabar com os simpatizantes de Peron. Walsh iniciou uma investigação da chacina de peronistas, o que mais tarde se tornou um livro chamado “Operação Massacre”.                                                                                                                             Releitura: Álvaro Liuzzi criou o “Projeto Walsh”, um experimento que busca unir uma obra literária às novas ferramentas digitais de publicação, recontando a investigação de Walsh como se ela ocorresse nos dias de hoje. Liuzzi criou um Twitter no qual mostra os avanços da investigação respeitando o tempo demorado por Walsh para tais descobertas. O público entendeu o aspecto lúdico do experimento e interage com “Walsh” como se ele estivesse twitando em 1956. O Twitter é apenas a primeira fase de experimentação de Liuzzi, que pretende usar ferramentas de publicação e geolocalização para recriar essa história. Liuzzi inclusive argumenta em seu blog que a investigação teria sido muito diferente se Walsh publicasse suas descobertas em um blog, se tivesse fotografado e compartilhado cada prova através de um celular e se pudesse usar as redes sociais para rastrear pessoas chave para o rumo de sua história.
  2. Obra: Michele Rocca, mestre do rococó italiano, pintou, entre 1710 e 1720, um quadro chamado O Julgamento de Páris, que retrata um conto mitológico no qual estão presentes Hera, Atena e Afrodite.                                                  Releitura: O videoartista mineiro Eder Santos criou uma instalação especialmente para o Masp, que está sendo exibida dentro da exposição “Deuses e Madonas – A arte do Sagrado”. Com a ajuda de televisores de LED tridimensionais e óculos especiais, os visitantes podem ver elementos da pintura em 3D, ou ainda perceber movimentos do cupido, das nuvens, folhas e corpos da obra. Eder ainda projetou uma revoada de pássaros na pintura, criando uma experiência totalmente diferenciada de uma pintura em um espaço de museu.

Em ambos os casos temos como resultado a permanência da obra em sua essência, mas apresentando-as através de meios diferentes, mais relevantes e contextualizados na realidade atual. A partir desses experimentos, podemos vislumbrar o futuro da arte contemporânea e até mesmo sua estagnação atual, já que poucos são os artistas que conseguem se reinventar e reinventar sua forma de arte de acordo com a evolução de sua época. E não só de artistas se alimenta a inércia, quantos sãos os médicos, advogados, professores, nós publicitários ou outros que ainda não sabem como trazer sua obra para o contexto em que se vive?

Os não artistas deveriam se beneficiar do papel dos que fazem arte, cujo objetivo é transgredir, questionar, fazer o que ninguém mais pode fazer, porque esse tipo de reflexão traz resultados importantes, praticáveis e permeáveis em inúmeros âmbitos e áreas de atuação e vivência.

Me aproveitando do que a Tate disse, uma época não anula a outra. A arte, o trabalho e a vida são empíricos e a essência de suas mensagens é imutável, se adaptando mais à época que ao suporte.

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